Segundo Teste do PP
Para início de conversa, o próprio título tem um motivo para estar lá: nome dado pela comunidade científica a um fóssil de um primata que, supostamente, seria o ancestral direto dos seres humanos de hoje. Apenas com essa informação já se pode deduzir que, só por não usar, por exemplo, “Eva” para essa situação mostra o quanto esse filme tem a tendência a glorificar os estudos científicos das escritas bíblicas, o que reforça o fato de a protagonista ter esse nome e ganhar superpoderes seria mais uma coincidência do que predestinação.
Outro fator importante está intimamente associado com a identidade Nerd. Muitas das pessoas que autointitulam nerds tem uma sensação de serem marginalizados pela sociedade por serem diferentes inteligentes. Professores e cientistas são pessimamente remunerados e tem muita pouca visibilidade enquanto atletas de futebol, basquete e outros esportes ganham fortunas e são idolatrados. Padres e bispos ganham milhões graças a ignorância da população em geral. Exemplos temos aos montes.
Ironicamente, são nas próprias histórias de super-heróis que esses estereótipos estão mais evidentes. A grande maioria dos super-heróis tem como sua principal virtude os dotes físicos e, quando são inteligentes, seus planos precisam de um mínimo de destreza física para serem executados; e em grande maioria das vezes os seus vilões têm como principal atributo a inteligência: os famosos “cientistas malucos”.
E Lucy é uma personagem superpoderosa exatamente porque é inteligente. A sua inteligência é a fonte de seus superpoderes e, por isso, que o cérebro é muito citado no filme. Essa mensagem se torna ainda mais evidente quando percebemos que seus vilões sempre acabam optando pelas alternativas mais previsíveis e idiotas para deter ela. Ninguém pensou em usar familiar como refém e/ou matar como retaliação e muito menos em explodir o local sem aviso prévio. Ou seja, o filme faz uma dicotomia Inteligência/Bem e Ignorância/Mal e, só por isso, já é digno de elogios.
A dicotomia foi demonstrado de uma forma explícita no filme quando ela decidiu armazenar todo seu conhecimento em um supercomputador e, quando foi questionada sobre a opção (leia-se: se os humanos não seriam gananciosos, insensíveis ou indignos do conhecimento a ser recebido), ela responde que é a ignorância que torna as pessoas assim.
